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Indicações e vias de acesso da nutrição parenteral no recém-nascido

Prof. Dr.Rubens Feferbaum
Dr. Artur F. Delgado

O suporte nutricional parenteral no recém-nascido (RN) pode ser de grande auxílio na profilaxia e no tratamento da desnutrição aguda que pode acometer este grupo de pacientes, principalmente nas situações do recém-nascido pré-termo gravemente doente6,7. A desnutrição nesta fase da vida, leva ao retardo de crescimento, que pode ser prejudicial ao desenvolvimento do sistema nervoso central23. A alta incidência de doenças respiratórias, capacidade gástrica reduzida e a hipomotilidade intestinal dificultam a administração de maiores volumes através do trato gastrintestinal. O tipo de terapia nutricional parenteral pode sofrer restrições quanto a qualidade e quantidade dos nutrientes ofertados. Por exemplo, na doença pulmonar causada pela doença da membrana hialina ou broncodisplasia pulmonar, freqüentemente, há necessidade de restrição de líquidos. Assim sendo, em várias situações no recém-nascido, a maioria das necessidades nutricionais podem ser satisfeitas por períodos prolongados apenas pela via parenteral9,15,23.
As formulações para a terapia nutricional parenteral devem atender as necessidades nutricionais e metabólicas individuais estimadas para cada recém-nascido. As quantidades de nutrientes podem variar dependendo da função orgânica, do metabolismo e da velocidade de crescimento6,17,23.

Indicações e Vias de Administração

A terapia nutricional parenteral exclusiva ou mista está indicada para o recém-nascido que não obtém a adequação de suas necessidades metabólicas através do trato gastrintestinal. A própria imaturidade do sistema digestivo e o consequente retardo do esvaziamento gástrico, incompetência do esfíncter gastroesofágico e incoordenação da motilidade intestinal contribuem de maneira importante, impossibilitando o fornecimento adequado de nutrientes por via enteral. Assim, condições diversas como prematuridade, ventilação mecânica, enterocolite necrosante e exclusões do trato gastrintestinal devido à anomalias congênitas fazem com que a terapia nutricional parenteral ( NP) seja um dos procedimento mais utilizados em terapia intensiva neonatal9,15,20. A NP também pode ser utilizada na sepse, em alguns casos de erros inatos de metabolismo (como por exemplo na doença de xarope de Bordo)4.
A NP pode ser administrada para recém-nascidos através de veias periféricas ou catéter central em veia calibrosa. A via periférica está indicada para os recém-nascidos que vão utilizá-la por período relativamente curto (10-14 dias)23.
A concentração de glicose nas soluções parenterais utilizadas por via periférica deve limitar-se a 12.5% pelo risco de esclerose venosa e lesões cutâneas. A NP periférica, em combinação com as soluções de lípides, pode ofertar 60-80 kcal/kg/dia, atenuando significativamente as perdas nitrogenadas
A NP, administrada através de cateter venosos em veia de grosso calibre, está mais indicada para os recém-nascidos com falta de acesso venoso, aumento das necessidades calóricas ou que necessitem de restrição hídrica, e especialmente, quando utilizada por período superior a duas semanas. Há preferência pelos cateteres de silicone ou poliuretano. Os cateteres centrais de inserção periférica (PICC) são inseridos no ou acima do espaço anticubital do braço e com a extremidade localizada, preferencialmente, no terço inferior da veia cava superior, 3 a 4cm acima da junção desta com o átrio direito. A taxa de complicações do PICC é significativamente menor, inclusive na utilização a longo prazo. As contraindicações de uso incluem dermatite, celulite, queimaduras no local de inserção ou nas proximidades ou trombose venosa prévia ipsilateral. Estes cateteres devem ser instalados com técnica totalmente asséptica. A incidência de complicações com o PICC é baixa para infecções, trombose venosa central e mau posicionamento. O custo destes cateteres ainda é elevado. Quando há impossibilidade de uso de cateter por punção percutânea poderá ser realizada a dissecção venosa com técnica de tunelização. Os cateteres umbilicais têm maior risco de infecção, devendo ser evitados. A via central também é preferencial nos recém- nascidos que necessitam de NP domiciliar

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